“Eu nunca fui boa com palavras, sempre tentei me livrar delas, por isso falava tanto, pra um dia já não ter mais o que falar, pra me calar e pra deixar de querer gritar pro mundo todas essas dores que tão aqui dentro. Grito, grito muito, mas ninguém nunca escuta, o grito nunca sai da garganta. O grito morre e apodrece ali e só piora tudo. Dizem que não é bom guardar essas coisas pra si próprio, mas eles nunca tem tempo pra gente, né? Na hora de nos ouvir, eles somem. Na hora que a gente quer gritar, eles saem de fininho, quietinhos… igual a gente vive. Quietinho, no canto, vivendo de fininho. Sozinho.” -Julia W.